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Programa Mico-Leão-Preto completa 30 anos


Programa Mico-Leão-Preto


Há 30 anos, o primatólogo Claudio Padua (à direita na foto) começaria uma das histórias marcantes da conservação da biodiversidade brasileira, ao iniciar as pesquisas de campo com o mico-leão-preto, espécie que só existe no Estado de São Paulo e que até os anos 1970 era considerada extinta na natureza. Após deixar de lado a carreira de administrador para se dedicar à proteção ambiental, Padua logo se envolveu com a equipe de pesquisa do professor Adelmar Coimbra-Filho, no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, que o levou a estudar o mico paulista no Pontal do Paranapanema, oeste de São Paulo, uma importante área de Mata Atlântica de interior.


Estudos sobre comportamento da espécie ou quantidade de grupos existentes nas florestas remanescentes, localizadas no entorno da cidade de Teodoro Sampaio (SP), acabaram não se mostrando eficientes sozinhos para a proteção dos micos. A maior ameaça à espécie estava na perda de seu hábitat, afinal, a região de pesquisas tem um grave histórico de devastação e fragmentação de suas florestas. Diante da necessidade de envolver a comunidade local e mobilizá-la pela proteção florestal é que Suzana Padua, esposa do pesquisador, passou a realizar atividades de educação ambiental, contando com a participação dos moradores da cidade. Nascia assim o princípio de uma estratégia de conservação de espécies e o início de um dos mais longos programas de conservação do Brasil.


As pesquisas com o mico ajudaram também a dar os primeiros passos para a criação de uma das maiores organizações socioambientais do Brasil, o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas. Atraídos pelas pesquisas de campo e pelo trabalho comunitário, estagiários de várias partes do Estado acabaram unindo-se ao casal Padua e formando o corpo de profissionais fundadores do Instituto, criado oficialmente em 1992. A partir da experiência com o Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, outros projetos acabaram surgindo no Instituto e sendo realizados em diversas partes do País, ampliando o alcance do IPÊ.


Ao longo dos anos, o trabalho do IPÊ junto com demais profissionais e instituições ambientais, e apoio dos órgãos governamentais, resultou: na mudança da categoria do mico-leão-preto de “criticamente ameaçado” para “ameaçado” (de acordo com a Lista Vermelha da UICN), estabelecendo um futuro mais otimista para este pequeno primata; na criação da Estação Ecológica Mico-Leão-Preto, de extrema importância para a Mata Atlântica e para a espécie; na definição dos limites para a criação do Mapa dos Sonhos do Pontal do Paranapanema, que indica áreas prioritárias para restauração ambiental na região, entre outras tomadas de decisão importantes à sobrevivência da espécie.


O programa de conservação para o Mico-Leão-Preto tornou-se uma referência dentro e fora da instituição e passou a expandir suas ações para além de Teodoro Sampaio (SP). Atualmente, além do Pontal do Paranapanema, as pesquisas são realizadas na Floresta Nacional de Capão Bonito e na Estação Ecológica de Angatuba (região sudeste de São Paulo), em parceria com diversos outros atores sociais e instituições, a fim de incrementar ainda mais o conhecimento sobre a espécie e influenciar em decisões que possam ser cruciais à sua sobrevivência.


Celebração dos 30 anos

Para comemorar os 30 anos dessa iniciativa, o IPÊ vem realizando diversas ações que seguirão até o final de 2014. Uma delas é o lançamento do livro “Mico-Leão-Preto: A História de Sucesso na Conservação de uma Espécie Ameaçada”, da atual pesquisadora do programa, a bióloga Gabriela Cabral Rezende, no próximo dia 6, na Câmara dos Vereadores de Teodoro Sampaio (SP), às 19h00. Durante os próximos meses o Instituto irá divulgar outras atividades com foco no aniversário do programa.


Sobre o mico-leão-preto

O mico-leão-preto é o único primata endêmico do estado de São Paulo, ou seja, não existe em mais local algum do planeta. Dentre os estados do Sudeste e Sul brasileiro, São Paulo é dos poucos que conta com uma espécie endêmica de primata. Atualmente, a população conhecida dessa espécie se resume a pouco mais de mil indivíduos, distribuídos em aproximadamente 20 fragmentos florestais isolados situados entre os rios Tietê e Paranapanema. Existem duas principais Unidades de Conservação em São Paulo que garantem proteção ao seu hábitat: o Parque Estadual do Morro do Diabo, no Pontal do Paranapanema e a Estação Ecológica dos Caetetus, na região da Gália, ambas estaduais e administradas pela Fundação Florestal de São Paulo. Além dessas há uma área federal, a Estação Ecológica Mico-leão Preto, também no oeste do estado.


O estado de São Paulo apresenta uma diversidade elevada de espécies, incluindo 10 de primatas. Lamentavelmente, destes, quatro estão ameaçados globalmente e dois apresentam algum grau de risco no âmbito estadual. Neste cenário, o mico-leão preto como espécie símbolo da conservação da natureza pode vir a ser um meio valioso de sensibilizar a sociedade paulistana e brasileira para a importância de se proteger a herança natural que herdamos em nosso país.



Fonte: http://ipe.org.br/ultimos-destaques/433-programa-mico-leao-preto-completa-30-anos